As questões emocionais e sociais que impactam adolescentes têm encontrado um caminho inovador com o projeto do Clube do Livro, na cidade de Piên, no sudoeste do Paraná. A criação do clube tem reduzido o número de atendimentos individuais e expandiu os temas para a comunidade. Ele é desenvolvido com a utilização do PlanificaSUS, que tem como objetivo o atendimento primário à saúde, em um trabalho feito com a Secretaria Municipal de Saúde.
O Clube do Livro reúne cerca de 20 adolescentes de 13 a 17 anos em encontros semanais na Biblioteca Municipal. Lá eles têm abertura para debater questões como sexualidade, drogas, bullying e racismo sempre com a participação de um psicólogo. Entre os participantes estão jovens atendidos nas unidades de saúde.
A escolha do livro passa pela curadoria do coordenador do clube, o psicólogo Rafael Mariante Sallet e as escolhas respeitam faixa etária, tema central do livro relacionado com o assunto a ser debatido, além da facilidade de leitura.
“Projetos como esse estão em todo Paraná e recebem todo o incentivo da Sesa, pois é através deles que podemos dar oportunidades para o desenvolvimento de jovens e adultos na área da saúde mental. Um trabalho como o Clube do Livro é completo do ponto de vista educativo, cultural e emocional”, lembra o secretário de estado da Saúde, César Neves.
Os livros entram como suporte e contexto para tratar dos assuntos discutidos e são também o ponto de desenvolvimento para outros trabalhos artísticos. Além da leitura, os coordenadores identificaram que era possível incluir atividades lúdicas e criativas como oficinas de audiovisual, foto, pintura, escultura e desenho.
Entre os trabalhos realizados está o curta-metragem “Não vão nos calar”, que lida com aspectos da cultura machista e os diversos tipos de violência contra mulheres. O grupo ainda prepara um livro para ser lançado. Antes, já montaram apresentações de esquetes sobre saúde mental, fizeram mostras de artes plásticas e exposições de fotografia.
A leitura é tratada como algo a ser desvendado, não como uma obrigação, completa Rafael. O adolescente que não leu, seja por qual motivo for, não é recriminado, mas a dinâmica dos encontros estimulam todos a lerem fora do horário dos encontros. “Ninguém se sente cobrado e todos são impactados pelo trabalho de debate e pelas atividades culturais”, completou.
Os efeitos do projeto já são percebidos na rotina dos serviços de saúde. De acordo com levantamento da equipe, a necessidade de atendimentos individuais diminuiu, indicando que o trabalho coletivo tem contribuído para o bem-estar dos participantes.
O trabalho também gerou o aprendizado de que o envolvimento dos jovens é muito maior quando são chamados para participar de forma ativa do processo. “Quando deixamos de nos colocar em uma posição de mestres que detêm o saber e apostamos na capacidade de construção coletiva por parte dos próprios adolescentes, eles respondem criando conceitos de valores muito positivos”, completou.
O impacto do Clube do Livro também ultrapassa o grupo participante. As produções culturais desenvolvidas são compartilhadas nas escolas do município, ampliando o alcance das discussões e fortalecendo a rede de cuidado com os adolescentes.
FONTE: SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE
FONTE: ARQUIVO PESSOAL

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